[Conto] Quando o destino insiste

em 30 de dez. de 2020


Olá Amores, como estão? Últimos momento de 2020 e eu decidi compartilhar com vocês este conto, espero que gostem, bora lá!
 💕
Eu sou uma pessoa eclética em questão de relacionamentos, já tive vários relacionamentos que duraram de três meses a há anos juntos, até relacionamentos abertos.

De todos o único que me deu dor de cabeça é meu atual marido, quando conheci Beto, eu estava fazendo faculdade de Advocacia, e trabalhava em um Call Center e vou te contar o povo sofrido este povo do telemarketing, quando entrei na empresa o Beto já estava lá, ele era muito popular na empresa porque era do tipo de pessoa tão carismática que todo mundo conhece e gosta.

A primeira vez que o vi nossa ele era um homem tão atraente, pele branca e olhos castanhos claros, cabelos loiros escuros quase castanho, uma boca de enlouquecer, a primeira coisa que olho em um homem é sua boca, sou fascinada por bocas bem modeladas e a dele pedia para ser beijada, era alto e forte um tanquinho de longe visto e como eu queria bater roupas naquele tanquinho, como eu queria!

Em pouco tempo nos tornamos amigos, conversávamos sempre no Messenger, todas as noite, já era rotina durante a semana, eu tinha que conversar com ele antes de dormir, só tinha um único problema, eu tinha um relacionamento meio complicado, era noiva e para ser sincera eu gostava do meu noivo, eu amava pelo menos eu pensava que amava, porque ele era sempre tão gentil, nos combinávamos em tudo, Leonardo era um doce de homem, como eu estava quase me formando, nos iríamos nos casar no ano seguinte, já tínhamos comprado o nosso Ap no Buritis, estava quase todo mobiliado, é que os pais do Leonardo eram bens de vida e os meus também, eu trabalhava para me distrair mesmo, já que meu pai pagava meu curso todo na PUC, então a única coisa que faltava para que pudéssemos nos casar era terminar meu curso, como eu ia deixar o Leonardo para ficar com Beto? Depois de tudo comprado, tantos planos feitos?

Não dava mesmo, assim resolvi seguir com meu relacionamento e continuar sendo amiga de Beto, em uma noite fatídica fomos a um bar perto da PUC do Coração Eucarístico onde eu fazia meu curso, Beto ao contrário de mim trabalhava porque precisava completar a renda, ele era bolsista na mesma faculdade, por pura coincidência do destino nós não tínhamos nos trombado, mas naquela noite bebemos uns goles a mais e acabamos cedendo a paixão que nos matava por dentro.

Beto morava em um Ap perto do campus fomos direto para lá, quando nos tocamos a primeira vez, nossos corpos se uniram eu sentir como se uma corrente elétrica tivesse passado por todo meu corpo, eu nunca tinha sentido isso em quatro anos namorando Leonardo, o que significava? Nossa e foi maravilhoso, beto tinha um beijo que me deixava toda de pernas bambas, aquelas mãos quando passeavam pelo meu corpo era como se acendesse algo dentro de mim. Eu estava decidida a deixar o Leo para ficar com Beto, mesmo depois de toda nossa história de tudo comprado eu ia deixar ele, não podia casar como ele gostando de outro.

E começamos a nos relacionar, pedi um tempo para o Leo e ele aceitou numa boa, ele era um cara muito maduro, o problema dos maus inícios é que sempre pode acontecer imprevisto e no auge da paixão a ex do Beto aparece dizendo que  estava grávida dele, que eles tinham ficado, e aconteceu, o Beto jurou que não tinha nada com ela, mas ela tinha provas, eu nunca sofri tanto em toda minha vida, resolvi deixar Beto, sair da empresa pedindo conta, mudei o campus para o Barreiro, eu nunca mais queria ver Beto em minha frente.

E assim a vida seguiu, me casei com Leo e ele foi um marido maravilhoso, minha festa foi linda, nossos pais alugaram um salão incrível na Pampulha, eu queria meu vestido feito sob encomenda nada de vestir algo que já tivesse sido usado por outra pessoa, nada disse tinha que ter exclusividade, e assim nosso início de felizes para sempre começou, mas você sabe o problema de relacionamentos que começam sem sentimentos nos dias atuais?    Eles não duram, e meu casamento foi lindo enquanto durou, e durou uns bons três anos, sem amor, sem paixão, em um dia como outro qualquer nos olhamos e percebemos que tínhamos feito coisa errada.

"E agora?"

"Agora Leo, nós continuamos amigos como sempre fomos, mas cada um continua sua vida."

O divorcio foi o mais difícil porque tivemos que vender o Ap para dividir o valor dele, a esta altura éramos sócios em uma empresa de Advocacia, imagine como era estranho ir trabalhar todos os dias com aquele sujeito que até então dividia  a cama com você?

"Malu, eu sempre vou ter um carinho enorme por você, então por esse motivo estou disposto a comprar a sua parte na associação, na empresa, hoje eu tenho condições."

"Eu vou dar um tempo do Brasil Leo, não sei mais se quero continuar na minha profissão, vou viajar e quando voltar eu decido, por mim o negócio está fechado."

E assim me desfiz de uma empresa e seguir para a Europa, andei pela Alemanha, depois Itália e como era lindo tudo, viajei por longos cinco anos, quando resolvi voltar ao Brasil, eu já escrevia, era colunista de algumas revistas Europeias e como tal podia morar onde quisesse.

Quando desembarquei no Brasil era como se nada tivesse mudado, o país continuava o mesmo, com a mesma bagunça política de sempre, a primeira coisa que fiz quando finalmente consegui descansar na casa de meus pais foi querer um lugar para mim, olhei alguns apartamentos, mas não me agradaram nenhum, então uma luz se acendeu em mim.

Estava em uma tarde navegando pela internet quando vi uma empresa de engenharia, que faziam casas sob encomendas, eram um modelo mais lindo que o outro, não queria mais pensar, era isso eu iria construir a minha própria casa.

"O que acha pai?"

"O que você fizer minha queria eu te apoio, se precisar até banco, você é o meu tesouro, só quero te ver feliz."

"Obrigada pai."

Com o veredito de meu pai, comprei o lote e fui atrás da empresa Engenharia e Arquitetura Oliveira, peguei meu carro e foi ao encontro deles, quando cheguei lá, a secretária me pediu para aguardar que já iam me receber.

"Senhora Malu Fernandes, o Sr. Adalberto Cavalcante irá atende-la agora, pode vir comigo por favor."

 E assim o fiz, o lugar era bem fino, um luxo só, me encantou logo de cara, mas quando entrei na sala meus olhos não podiam acreditar no que estavam vendo, era o Beto ali na minha frente, ele tomou um grande susto quando me viu.

"Malu? É você mesmo? Que prazer te ver!"

Ele foi dizendo me abraçando como se ele esperava me ver a bastante tempo, aquilo tudo era estranho para mim, mas retribui o abraço.

"Estou bem, Beto e você? Parece que não mudou nada, se passaram quanto tempo? Oito anos?"

"Sim. Oito longos anos."

E conversamos sobre tudo, tudo mesmo, por fim ele me mostrou algumas maquetes de como poderiam ser a casa, a minha casa, no final eu lhe dei um desenho próprio e o que ele aperfeiçoou, Beto era Arquiteto agora e muito bem sucedido, ali eu vi que minha casa iria ficar linda, no meio a minha empolgação esqueci de perguntar se ele tinha casado, mas minha pergunta, nem precisava ser feita, em meio a nossa empolgação uma mulher loura, alta, muito bem vestida, linda por sinal, era a ex dele que nos atrapalhou, ela olhou para mim com desagrado e foi bem arrogante.

"Vera, olha quem está aqui? Se lembra da Malu?"

"Sim. Como eu poderia me esquecer? Eu volto em outro momento."

Ela saiu me deixando meio sem jeito na sala, e não fui a única, Beto estava vermelho de raiva dava para ver nos olhos dele.

"Desculpe a reação de Vera, ela é filha do meu Sócio, a presença dela na empresa é quase que obrigada."

"Vocês não se casaram?"

"Não. Nem louco caso com esta mulher. Não depois do inferno que ela transformou minha vida, ela e eu crescemos juntos, nos conhecemos desde sempre."

"Não entendo. Mas ela não estava grávida? Afinal foi por isso que nos separamos?"

"Não haveria como está grávida, ela é estéril. Nunca tive nada com mulher nenhuma quando estava com você, mas isso é passado, já não importa mais é passado."

"Claro, é passado me desculpe."

E a conversa que tinha iniciado bem, acabou tomando um rumo diferente, ele agora estava frio se limitando apenas ao trabalho da minha casa, que iriam começar no mês seguinte, sai da sala com um peso no coração, e quando olhei para frente lá estava Vera, a maldita Vera.

"Então você voltou? Eu tive tanto trabalho para ti tirar da minha frente no passado, e você me atrapalha até hoje, mas escute bem o Beto nunca vai ser seu porque eu sou a minha da vida dele."

Ela falava entredentes, quase podia ver fogo saltar dos olhos dela.

"Ele ficou sem mim estes anos todos e pelo visto você não foi uma boa substituta, quer ver quem ganha querida? Pague pra ver!"

E sai de lá me sentido a maior idiota da face da terra, eu havia acreditado naquela louca e perdido o amor da minha vida a agora por um acaso do destino nos estávamos unidos por uma casa? Eu tinha que fazer alguma coisa.

Quando minha casa enfim começou a ser construída eu participei de perto de cada escolha, levou cerca de cinco meses para que tudo tivesse ao meu gosto, cada pedacinho de centímetro, mas tanto valor pago valera a pena a minha casa era como o meu castelo em que eu era uma rainha precisando de um rei, com a casa construída eu pedia finalmente me aproximar de Beto, e assim marquei o jantar como forma de agradecimento, que ele a principio não queria aceitar, porque era contra a ética da empresa dele, mas eu dei uma boa desculpa, disse que queria ter a chance de agradecer, pois ele tinha feito bem mais do que eu havia pago, e assim aceitou o convite.

Marquei para as oito horas, fiz questão de mandar preparar o prato que eu sei que ele adora, lasanha quatro queijos, e que eu por sinal também amo bastante, fui ao salão de beleza escovar os cabelos e fazer as unhas porque elas estavam em estado bem desesperador, aproveitei para dar aquela repaginada no visual, vesti uma roupa bastante sexy, um vestido preto colado que muito modela meu corpo, passei uma boa maquiagem com batom vermelho para realçar meus lábios e torna-los convidativos de maneira que as oito eu estava prontinha apenas esperando por ele.

 As Oito e um ele chegou, sim eu estava tão nervosa que até os segundos eu estava contando, eu ainda amava Beto, e nada me importava mais do que ter ele comigo, estava preparada para tudo que viesse. Seguimos o jantar normalmente ele me comeu com os olhos quando me viu, eu adorava aquele olhar, olhar de predador.

"Você caprichou hoje, está maravilhosa."

"Obrigada Beto, você também está um charme."

"Eu relutei muito se realmente devia vir aqui e você sabe porque. Não é fácil ver alguém que significou tanto para você e não sentir nada."

"Você ainda gosta de mim Beto?"

"Não é isso que está em vogue é? Afinal foi você que se casou com outro, eu vi tudo, o seu sim no altar ao lado de outro homem, eu tive que me segurar para não te tirar dali a força e impedir aquele casamento, você era comigo que você deveria se casar, não com aquele sujeito."

"Eu sinto muito, eu estava ferida, confesso que fiz mesmo escolhas erradas, mas estou aqui, já não estou casada, eu te amo Beto não pode me perdoar?"

" E se eu te perdoar Malu, e você novamente acreditar em qualquer mentira que inventarem? Eu não sei se aquento mais, quero um relacionamento tranquilo, quanto tempo estamos separados?"

"Quase dez anos, eu sei que deveria ter acreditado em você, sei que devia ter te escutado. Mas é que eu sou assim, racional, acredito em provas, e ela tinha provas, tudo bem que falsas, hoje eu sei. Você não me ama mais?"

"Eu sempre vou te amar Malu, não é essa a questão. Você não faz ideia de como eu sofri estes anos todos, e quando pensei que você fosse me procurar, você foi embora do Brasil.  Leonardo Brites me procurou assim que vocês dois se separaram."

"O Leo? O que ele queria?"

"Ele me pediu para te procurar, disse que você era turrona que eu perdoasse você, porque você me amava que o casamento de vocês dois foi um erro."

" E foi. Eu não pensei direito, o sentimento já tinha acabado a tempo, nós é que ficamos empurrando com a barriga e depois não dava mais para empurrar, foi aí que nos separamos."

Os olhos de Beto estavam irreconhecíveis, iam da luz a escuridão, era como se ele estivesse chorando por dentro e em um impulso meu, eu lhe dei um beijo a qual ele me respondeu com muita paixão, por um minuto parecia que não tínhamos nos separado, eu queria que o tempo parece ali.

"Eu juro que nunca mais deixo de acreditar em você, vamos tentar de novo?"

Ele me olhou com olhos doces, pegou meu rosto entre as mãos e me beijou de novo, desta vez com tanta doçura que pude sentir que ele ainda me amava.

"Claro. Vamos começar de novo, desta vez do jeito certo."

E assim voltamos de onde tínhamos parado sem ninguém para nos atrapalhar, pelo menos eu pensava, um mês depois da nossa reconciliação Vera resolveu aprontar, ela estava uma fera porque Beto e eu tínhamos voltado, todos os dias ela me dizia alo diferente e confesso que aquilo já estava me cansando, como é que eu vou ser indiferente, sou mulher e ciumenta sim diga-se de passagem, até que ele a viu que os esforços dela foram nulos, em um dia como outro qualquer ela resolveu selar a paz, e trouxe alguns drinks para comemorarmos o meu retorno com Beto, as taças de vinho tinto no final do expediente estavam todas prontas e a minha separada ela disse que era especial, mas antes de brindarmos ela teve que ir atender ao telefone e o Beto como sempre foi brincalhão trocou os copos, e assim bebemos, depois conversamos um pouco até que ela começou a passar mal e tivemos que leva-la ao hospital as pressas, ela começou a vomitar sangue eu nunca vi uma coisa dessas.

No final tiveram que fazer uma lavagem estomacal e ela ainda precisou de sangue, ficou no hospital um mês internada, até que fomos visita-la.

"Oi Vera, como está?"

"Bem Malu. Eu pensei que não fosse te ver por aqui. Lhe fiz muito mal estes anos todos, menti, manipulei para te afastar do Beto e se você tivesse tomado o Vinho era você que estaria aqui no meu lugar. Eu achava que um dia ele ia querer ficar comigo e se não ficasse não seria de ninguém, Atrapalhei todos os relacionamentos dele até hoje, nenhum deu certo por que eu não deixei, no final ele desistiu de todas as relações."

" E por que você fez isso? Valeu a pena? Olha onde você parou? Quase morreu por causa de uma obsessão. Se o amasse de verdade iria querer o bem dele e ao contrário você só lhe causou mal."

"Eu sei. Será que um dia poderá me perdoar?"

"Não é a mim que você tem que pedir perdão, é ao Beto, foi a vida dele que você infernizou. Segue tua vida em paz e seja feliz."

Foi a conversa mais difícil que já tive, e acredito que nunca tive que lutar tanto para ficar com alguém como lutei pelo Beto, mas valeu a pena, por amor sempre vale a pena, desde que você não tenha que pisar em ninguém.

Vera saiu da empresa de vez, acabei comprando a parte do pai dela na empresa de Beto, não entendo nada de construção de casa na verdade, mas entendo de administração e isso é o que importa.

Essas lutas todas que tive para provar meu amor, só aumentaram minha confiança e me ensinaram muitas e valiosas lições que sem elas eu certamente seria incompleta.

Mágoa? Ódio? Não sinto, acredito que sempre que tal como a vingança são sentimentos pequenos que não merecem ocupar espaço em meu coração.

Felizes para sempre? Não existe, mas pode ter certeza que enquanto tiver um por cento de chance estarei lutando para ser feliz, porque eu aprendi que não é o final da corrida que traz a recompensa, mas sim chegar lá e ultrapassar cada obstáculo.

 

Fim!


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